Por que ler "Avivamento - As contribuições de Jonathan Edwards ao Pentecostlismo Brasileiro" ?
Os pentecostais no Brasil já podem contar com uma excelente literatura, que aborda a temática de avivamento trazendo excelentes contribuições à tradição pentecostal, como de fato o próprio nome do livro propõe. AVIVAMENTO - Contribuições de Jonathan Edwards ao Pentecostalismo Brasileiro, escrito pelo Pr. Elias Torralbo, pastor da igreja Assembleia de Deus em Mogi das Cruzes. Esse livro vem nos trazer elementos do avivamento que aconteceu em 1740, conhecido como o 1º Grande Despertamento ocorrido em colônias britânicas nos EUA nas cidades de Massachussets e Northampton. Com uma escrita polida e de excelente qualidade acadêmica, o autor traz com muita pesquisa e base histórica, quais foram os benefícios oriundos desse avivamento que foi protagonizado pelo Espírito Santo por meio do sevo de Deus Jonathan Edwards. Não só isso, o Pr. Elias Torralbo abordou os problemas que surgiram no contexto desse avivamento e que pessoas foram opositoras ao movimento por causa desses problemas, mas nem por isso, o autor deixa de mostrar como foi benéfico para as comunidades de fé do seu tempo, bem como seus aprendizados para gerações posteriores. A proposta do livro é mostrar como movimentos espirituais mesmo tendo Deus como fonte, tem seus desafios para os que se envolvem nele e os que criticam sem conhecer seus fundamentos.
O autor ocupa-se nos primeiros capítulos de trazer uma breve biografia de Edwards e o seu contexto para que se entenda os motivos que Deus visitou o seu povo. O Pr. Elias Torralbo sobre esse ponto, diz que nos anos anteriores ao Grande Despertamento, na Nova Inglaterra e Nova York na década de 1720, foram devastadas por inúmeras doenças que vitimaram muitas pessoas. Também nos trás a memória que em 1729, Nova York foi abalada por um grande terremoto que trouxe terror nas pessoas, além de afetar a geografia e as águas do mar. Isso é importante ressaltar, pois o autor por meio de muitas fontes, diz que "Os fenômenos da natureza e as epidemias eram, portanto, interpretados como sinais da ira de Deus contra pecados individuais e coletivos" [1] . Tudo isso, também foi regado com os temores das comunidades protestantes do seu tempo serem invadidas pelas forças católicas romanas espanholas, onde se sabe que a inquisição foi extremamente agressiva.
E meio a tudo isso, Deus visitou o seu povo de maneira poderosa trazendo um despertar e santidade nas comunidades cristãs. E certamente foi algo excelente como diz o autor, mas todo movimento por envolver seres humanos caídos em seus pecados, trazem seus problemas junto com os benefícios. Sobre isso o Pr. Elias Torralbo diz:
"Esse despertar produz grandes efeitos, tanto positivos quanto negativos, para os quais é necessário olhar, pois orientam a relação com temas que perduram até os dias atuais como o avivamento, que será aqui discutido, enfatizando a necessidade de uma teologia equilibrada que possibilite avaliar se os resultados apontam para uma verdadeira obra de Deus no meio do seu povo" [2]
Observe na fala do autor, que os resultados gerados são meios avaliadores para concluir se tal evento tem como fonte de Deus, ou se pode considerar como oriundo do maligno por meio de falsos profetas. A isso, podemos refletir no que Jesus disse que "Por seus frutos os conhecereis [...]" (Mt. 7.16). Esse conselho do autor bem como o de Jesus, serve tanto para os racionais apressados por verem coisas até então não comuns depreciam o movimento, mas para os ansiosos emocionados que abraçam tudo como se fosse Deus. Sendo Jonathan Edwards e sua teologia de avivamento objeto de estudo, o autor se utiliza de uma obra conhecida como: Marcas Distintas de uma Obra do Espírito de Deus (EDWARDS, 2010), pois entende que o movimento pentecostal tem seu fundamento nas Escrituras e na experiência, o que conecta com a proposta desse livro de Edwards.
O Pr. Elias mostra em seu livro que houve promotores que antecederam o Grande Despertamento e eles estavam na necessidade de uma igreja revitalizada, que os crentes deveriam viver para Deus, além de enfatizar uma espiritualidade baseada, no que dizia Edwards, na religião do coração. Esse entendimento de Edwards foi percebido principalmente nas suas pregações que davam grande ênfase em um novo nascimento e na responsabilidade que cada indivíduo tem diante de Deus, e que prestará conta de seus atos. Logo, para Edwards, pertencer a uma denominação e frequentá-la, não resolve essa questão entre pecador e Deus. São insights importantes que o autor trás em seu livro que se assemelha ao entendimento de fé do pentecostalismo.
Outro ponto importante que o autor relata a partir do capítulo 2, foi a forma litúrgica nos cultos no período do Grande Despertamento. A partir desse ponto, o autor faz as conexões com a fé pentecostal, pontos em comum e os que precisam ser aprimorados, exatamente sob a ótica dos resultados gerados no Grande Despertamento, sejam eles positivos ou negativos. O autor por meio de sua pesquisa, nos diz que nesses cultos, tendo Edwards como pastor, as pessoas tinham manifestações emocionais como gritos, cânticos e pessoas que se contorciam no chão devido a muitos pecados confrontados pela palavra. Ele diz que os "reavivalistas gritavam, soluçavam e sofriam convulsões até desabarem no chão em estado de transe" [3].
No meio dessas manifestações, surgem dois grupos distintos, porém, com reflexões diferentes sobre o Grande Despertamento. O primeiro deles é o chamado Novas Luzes , que tinha em mente aquele movimento uma obra autêntica de Deus. Em contraponto estão as Velhas Luzes , caracterizadas pelos integrantes do grupo anterior, como frios e sem piedade, por serem contra ao Grande Despertamento. Percebemos esses dois grupos de semelhanças evidentes nos dias de hoje, onde os pentecostais são tidos por alguns como espirituais ou emocionados e até mesmo carnais. Por outro lado, alguns cultos de igrejas mais tradicionais de frios e sem espiritualidade, ou como verdadeiros racionais de fé. A verdade é que nem uma das definições pode ser tidas como verdades, se não passarem pelo crivo da Escritura e de uma boa teologia de avivamento.
Por isso, Edwards se levanta como um gigante não se posicionando de um lado ou de outro, mas trazendo um equilíbrio específico de sua teologia. Edwards entendeu que mente e coração possuem igual valor na prática da fé cristã. Ele dizia que uma fé verdadeiramente espiritual passando por todas as dimensões do ser humano, pois este não é um ser dividido em caixas desconexas, mas sim, o ser humano é um todo que precisa ser considerado, tanto as emoções como a razão. Perceber-se com isso, que aferir uma conclusão de um movimento ser ou não de Deus baseado somente em um dos aspectos, pode-se concluir erroneamente que Deus não é por causa de experiências experimentais, ou que é por causa de uma certa formalidade num culto.
A partir dessas reflexões, o Pr. Elias Torralbo segue magistralmente analisando os resultados do Grande Despertamento e registrando excessos na tradição pentecostal e buscando o equilíbrio entre fé e razão, assim como o fez Jonathan Edwards em seu tempo. Sinceramente é um livro excelente para quem está iniciando seus estudos sobre avivamento, bem como para quem já possui amplo conhecimento. Recomendo tanto aos irmãos pentecostais, como aos irmãos de tradição reformada. Leitura excelente para todos e um chamado ao diálogo.
[1] (TORRALBO, 2024, p. 24)
[2] (Ibidem, pág. 24)
[3] (Ibidem, pág. 40)

Sei o quanto é dedicado com a palavra de Deus e estudioso! Parabéns pelo artigo!
ResponderExcluirObrigado!! Eu amo as Escrituras!
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